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Quem eu sou?

  • 5 de abr. de 2018
  • 6 min de leitura

Ok. Here is the thing:

Eu decidi começar esse blog há tanto tempo porque via as pessoas que tinham dado certo nesse “mercado digital” e queria virar uma delas. Acontece que eu não tenho, aliás, nunca tive disciplina pra nada na vida. Já perdi a conta de quantas vezes eu comecei e parei alguma coisa porque sim ou quantas ideias geniais eu já tive que só dependeriam de um pouco de esforço diário e não consegui dar continuidade.

Acontece que enquanto eu era criança tava tudo bem... minha mãe era muito paciente comigo nesse sentido e vivia me dizendo que tudo bem se eu não gostasse disso ou daquilo e que sempre me incentivava a descansar no período em que eu não estava na escola. Só que na escola eu era extremamente distraída. Passava uma grande parte do tempo olhando pela janela e dia sim dia não tinha que pedir o caderno da Bruna emprestado porque não tinha terminado de copiar a lição da lousa.

Falava mais que o homem da cobra, não conseguia jamais manter o caderno em ordem mas tirava notas altíssimas porque escrevia bem e era bastante esperta. Toda reunião meu pai ouvia as mesmas reclamações e congratulações, mas nunca me deu bronca porque tava tudo bem eu falar e não dar conta da tarefa porque isso mostrava que eu tinha outras habilidades sociais. E tinha mesmo. Fazia amigos fácil, conversava com idosos, crianças e adultos e ensinava coisas pra todo mundo que quisesse aprender alguma coisa nova.

O problema é que ser “inteligente” fez com que eu me acostumasse a não precisar fazer esforço praticamente nenhum para ser boa nas coisas. Ganhava todos os concursos da escola, bolsa para cursos variados, vagas para projetos conveniados à escola e por aí vai. Só que nenhum deles eu conseguia levar até o final. Eu sempre gostava de tudo e nunca me esforçava pra nada. Faltava às aulas praticamente duas vezes por semana e sempre terminava o ano no limite. Só não ficava retida porque tinha notas altíssimas.

Aí eu fui crescendo. Entrei na faculdade e me ferrei de verde e amarelo. Não conseguia acompanhar boa parte das coisas que os professores falavam, não entendia os artigos e livros da bibliografia básica e não fazia a menor ideia de como executar as tarefas para avaliação. Pior ainda: no curso de Pedagogia.

Pedagogia porque gostava de ensinar. Sempre gostei. Mas gostava ainda mais da ideia de estar em uma das melhores universidades do país sem precisar mover uma palha. Por quê? Porque não estudei pra fazer o ENEM e, ainda assim, tive uma pontuação razoável que me colocava na primeira vaga da reserva para alunos negros vindos de escolas públicas. Quem não quer ser o primeiro colocado em qualquer coisa que seja, principalmente se for de graça?

A pesar de toda a dificuldade enfrentada no primeiro semestre, o resultado foram notas consideravelmente altas. Achei que tinha me safado. No semestre seguinte peguei a carga horária máxima de disciplinas porque queria me esforçar de verdade. Me envolvi em atividades extracurriculares e – voilà: me ferrei. Tive que trancar uma porrada de matéria e desenvolvi um transtorno de ansiedade barra pesada.

Com as crises, não tinha o mínimo de forças nem para ir às aulas. Morava sozinha, logo, perdia hora. Não conseguia arrumar nem limpar a casa nunca. Não cozinhava, então não comia e ficava fraca, à beira dos desmaios sempre. Era um caos completo.

Nesse meio tempo entre primeiro semestre vitorioso e segundo semestre fracassado, conheci o Rafael, hoje meu marido. Viramos amigos e conversávamos muito sobre a vida... a minha, a dele... Aí eu fui percebendo que ele era extremamente obstinado e tinha conseguido entrar no curso que ele sempre sonhou depois de muito esforço e dois anos de cursinho, mas não na universidade que ele queria. Isso me fez sentir mal sobre mim e sobre a maneira como as coisas sempre pareceram cair no meu colo enquanto tinha gente fazendo muito esforço e, ainda assim, às vezes não alcançava o objetivo.

Decidi mudar. Não queria mais viver daquele jeito. Queria sentir a alegria que se sente quando se consegue alguma coisa depois de querer muito, se esforçar muito. Mas eu nunca tinha querido nada... tinha vivido até então em um rio que me levava por aí, sem rumo muito definido. Uma hora eu queria alguma coisa, na outra já não fazia mais tanta questão assim... e eu só sabia viver desse jeito.

Fomos morar nos Estados Unidos (essa história eu conto depois). Tive tempo pra pensar sobre as coisas. Descobri que talvez não gostasse tanto assim do meu curso, que não queria trabalhar com crianças, nem em escola, nem nada do tipo... Mas pra saber, eu precisava tentar.

Voltamos pro Brasil e eu pensei que seria bom arrumar um emprego. Fui procurar e pumba: “Escola bilíngue precisa de professor formado em letras ou pedagogia”. Mandei currículo, fiz entrevista e fui contratada em menos de uma semana. Fácil de novo. Eu, mesmo sem nunca ter feito curso de inglês e sem ter terminado a faculdade saí da entrevista basicamente contratada porque “era a melhor de todas as candidatas”.

Comecei e fui percebendo que não ia dar conta. Dessa vez eu me esforcei pra valer. Ficava dez horas por dia na escola com uma hora de almoço e preparação de aula no “horário livre”. O problema é que no “horário livre” eu tinha uma graduação em andamento. Disciplinas, textos pra ler, seminários pra apresentar, fichamentos e sínteses pra entregar. Além disso, uma casa pra limpar e arrumar, um marido pra alimentar e amar e eu mesma pra manter sã.

As crises voltaram. Meu marido não me ajuda em casa, ele divide todas as tarefas comigo. Mas ele trabalha em dois empregos, então não dava pra saber quem tava pior. Fiquei por quatro meses e saí. Fui lá e avisei que não voltava. Desse jeito mesmo.

Fiquei em dúvida se não tinha gostado da carreira ou se o problema eram as condições de trabalho (falava inglês o dia inteiro sem parar, ganhava R$13 a hora, fora as horas extras de planejamento que saiam de graça para as empregadoras). Fiquei na minha até que uma amiga me indicou pra trabalhar de auxiliar em uma outra escola bilíngue. Duas horas por dia, R$16 reais a hora, reuniões e atividades feitas fora do horário proposto seriam pagas por fora. Parecia bom. E era bom.

Sem nem currículo enviar, passei pela entrevista em português e em inglês e fui contratada pra começar no dia seguinte. Além disso ganhei um curso de inglês com tudo pago pela escola só pra ser auxiliar e conversar essas duas horas em inglês com todo mundo. Fui lá e em menos de uma semana percebi que o problema era que meu negocio não era escola MESMO. Não quero trabalhar com educação infantil nem com ensino fundamental. Nem com nada que meu curso me dá habilitação pra fazer.

O que você ainda não sabe dessa história toda é que desde o primeiro ano do curso eu tenho tentado conseguir algum professor que me ajude a conseguir uma iniciação científica. Tomei vários canos, vários nãos, vários e-mails jamais respondidos. Talvez eu tivesse desistido na primeira ou na segunda vez. Mas continuei tentando...

Tentei quase todos os professores da área de educação, até que consegui uma orientadora. Montamos o projeto. Submetemos o projeto. Consegui a bolsa. Mas por uma falha mínima no projeto (meu nome e o nome dela escritos na capa), enviaram um email pedindo que corrigíssemos o projeto, mas a orientadora não me disse nada. Perdi a bolsa. Fizemos a correção e pedimos para participar da modalidade sem remuneração. Faltou um documento. Perdi a chance outra vez.

Mas eu não desisti. O processo seletivo abriu outra vez e eu já fiz as alterações que eu achava necessárias no processo e vamos submeter de novo. Não sei se vai funcionar, mas enquanto eu puder tentar, vou tentar. A questão é: qual é a diferença entre essa vontade de fazer pesquisa e todas as outras coisas que eu já tive vontade na vida e deixei pra lá? Talvez dessa vez eu queira MESMO isso.

Então eu tenho um problema: estou nesse emprego que paga bem mas pra conseguir a bolsa da pesquisa preciso sair dele porque a bolsa não pode ser concedida a aluno que tenha vínculo empregatício. Não gosto do emprego mas preciso do dinheiro. Vou ficar, submeter o projeto e esperar o resultado e sair se conseguir a bolsa. Problema resolvido.

Se tudo se resumisse a isso, não precisaria ter escrito esse texto e nem você tinha porque lê-lo até aqui.

Eu não quero um plano. Planos eu sei fazer, sou boa nisso. E sou melhor ainda em não cumpri-los. Eu quero saber quem eu sou. Pra além de “meu nome é Rosaine, tenho 22 anos, estou no ultimo ano do curso de pedagogia...”. Eu quero saber qual é meu filme favorito, pra onde eu quero viajar nas férias, o que fazer no feriado, como me divertir no final de semana, o que eu gosto ou não de comer, que tipo de musica eu gosto de ouvir, do que eu tenho medo, o que me deixa triste, qual nome quero dar para o meu filho... Eu quero saber o que eu quero, o que eu gosto, enfim: QUEM EU SOU. Chega de deixar a correnteza me levar. Tá mais que na hora de levantar e fazer algo. Preciso ter um propósito, um norte. Quem vai, vai a algum lugar e eu quero saber pra onde quero ir...

... e você pode me acompanhar se quiser...

...porque, a final de contas, ter um blog só faz sentido se ele tiver um sentido de verdade. E agora o BNT tem.

 
 
 

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